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Corrosão de armaduras: como identificar e tratar esse problema

07 de outubro de 2020
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Armadura aparente, manchas de ferrugem pelas peças de concreto armado, fissuras profundas no sentido das barras: tudo isso é sinal de que temos problemas na estrutura. Pois é, não tem escapatória! Se acontecer isso, você estará diante de uma manifestação patológica e precisará dar a devida atenção à questão.

Para isso, hoje vamos te orientar sobre como funciona o processo de corrosão do aço. Entendendo isso, você será capaz de tomar ações para que esse problema não aconteça em sua obra.

Mas lembre-se: ao identificar esse problema, é sempre importante chamar um engenheiro especialista. Simplesmente “maquiar” a situação pode causar graves consequências.

Antes de começarmos no assunto, é preciso entender como acontece a corrosão. Ou seja, o que gera esse problema?

Para isso, vamos pensar no seguinte: o concreto é um material alcalino (básico) com pH alto (em torno de 13), o que garante, ao redor da armadura, uma camada protetora que impede que haja corrosão. No entanto, por causa de alguns fatores que serão listados a seguir, nem sempre essa barra de aço está 100% resguardada

• Porosidade do concreto (alta relação água/cimento);
• Má vibração das peças de concreto;
• Trincas e fissuras;
• Cobrimento inadequado.

Quando ocorrem, todos esses fatores abrem precedentes para que agentes agressivos cheguem mais facilmente na armadura e, consequentemente, acelerem o processo de corrosão. Conforme explicado anteriormente, o concreto ajuda a criar uma barreira física de proteção da armadura. Se essa barreira estiver fissurada, for muito fina ou for muito porosa, ela se torna menos eficiente.

Com a entrada de gás carbônico no concreto, há queda de pH do concreto por causa de uma reação chamada carbonatação. Isso faz com que essa camada protetora perca seu efeito e torne o ambiente propício para que as reações químicas de corrosão do aço ocorram. É importante observar que, para ocorrer a corrosão, é imprescindível a presença de água. Algo difícil de ser evitado, não é mesmo?

Quando ocorre corrosão, há formação de um subproduto, o óxido de ferro. A formação desse produto é ruim por duas razões. A primeira é que a formação do óxido de ferro (Fe2O3) significa que a barra de aço está sendo consumida, ou seja, com o tempo, apresenta redução de sua seção. Além disso, o óxido de ferro é um material volumoso, o que faz com que o concreto tente se expandir. Como isso não é possível, ocorre a formação de fissuras e, dependendo do grau da corrosão, o desplacamento do cobrimento de concreto.

Fonte: COMIM, Kevin W.; ESTACECHEN, Tatiana A. C. Causas e Alternativas de Reparo da Corrosão em Armaduras para Concreto Armado

Um outro agente agressivo muito importante e extremamente prejudicial para a armadura é o cloreto. Ele está presente na água do mar, por exemplo. É exatamente por causa dele que é comum vermos muita corrosão em metais na praia. É incrível como na praia tudo enferruja, não é mesmo? Se o cloreto conseguir entrar em contato com a armadura do concreto, ela também será corroída. É exatamente por isso que uma boa barreira de concreto (cobrimento) é ainda mais importante nessas regiões.

Abaixo, apresentamos dois exemplos de corrosão de armadura já em estado avançado, em que visivelmente houve perda de seção.

Fonte: https://www.axfiber.com.br/single-post/2016/12/08/CORROS%C3%83O-DA-ARMADURA-EM-ESTRUTURAS-DE-CONCRETO

Fonte: https://techniques.com.br/recuperacao-estrutural/

Com a redução da área de aço, há uma redução também da quantidade de carga que aquele elemento estrutural consegue suportar. Ou seja, caso uma viga tenha sua armadura muito corroída, ela pode vir a ruína.

Já deu para perceber que o problema é bem mais complicado e sério do que parece. Corrosão não é apenas um problema estético, que deixa a obra manchada de laranja. É uma questão de segurança.

Como eu evito que isso aconteça?

Conforme comentamos no decorrer do texto, a melhor forma de evitar a corrosão de armaduras é tem uma boa barreira de proteção para essa armadura. Ou seja:

• Utilize sempre um concreto adequado para a classe de agressividade da região da edificação, respeitando a relação água/cimento limite;
• Respeite o cobrimento mínimo – sempre use espaçadores tanto em lajes quanto em vigas e pilares;
• Faça a cura adequada do concreto após o lançamento. Isso evitará que ocorram fissuras neste concreto, o que pode comprometer sua vida útil;
• Mantenha a pintura da obra em dia. Pode parecer besteira, mas a pintura gera uma camada de proteção adicional.

E aí você pode se perguntar: “O que eu faço quando encontrar corrosão na minha obra?”. Pois bem, o ideal é contatar um engenheiro civil de confiança, de preferência alguém especialista na parte de patologia das estruturas, para orientar sobre quais medidas devem ser tomadas. Jamais tente resolver esse tipo de problema sozinho. O processo de corrosão, depois de iniciado, não é interrompido sozinho, a não ser por meio de um reparo mais completo. Caso seja feito somente um reparo com foco estético, o problema tende a continuar evoluindo, então, quando for feito um reparo definitivo, ele pode sair muito mais caro.

Guilherme Aznar – Consultoria Técnica InterCement

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