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Fissuras em obras: conheça os diferentes tipos – Parte II

2 de setembro de 2020
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No artigo passado você aprendeu como como são as fissuras por deformação e retração. Agora, chegou a vez de vermos o que acontece com a estrutura quando ela está sujeita a sobrecargas não previstas e à ocorrência de recalques. Vamos lá?

 

Carga atuante na estrutura

Toda peça de concreto armado é feita para absorver as cargas nela atuantes com segurança, deformando-se e dissipando o esforço até as fundações e, na sequência, para o solo.

Uma forma simplificada de compreender a questão é imaginar um nadador na ponta de um trampolim: o material aguenta o peso do indivíduo, mas sofre deslocamento por causa da presença dele. O mesmo se aplica às estruturas de concreto armado, mas numa escala bem inferior, claro.

As fissuras por esforço atuante se dão por duas situações: acúmulo de tensões dentro da peça de concreto ou por deslocamento em função da carga aplicada.

Para ilustrar de forma didática, veja mais abaixo sobre as fissuras causadas por sobrecarga.

a. Flexão de viga

FONTE: Notas De Aula Prof. Bernardo F. Tutikian

As vigas quando recebem cargas (sejam elas de itens apoiados diretamente ou por servirem de apoio para as lajes), sofrem flexões, e estas geram fissuras na região tracionada da peça. No caso de uma viga biapoiada, ou seja, apoiada em apenas dois apoios, essa maior tração acontece no meio do vão.

Crédito: Guide Engenharia/Reprodução

Quando a viga é sujeita a esforços superiores à sua capacidade de suporte, ela tende a deformar de maneira excessiva, levando ao aparecimento de fissuras. Estas fissuras, quando observadas, indicam que há algo de errado com a estrutura. Ou há uma carga maior do que a viga foi projetada para suportar ou houve algum erro na armadura desta viga. Independentemente da causa, fissuras de flexão devem ser levadas extremamente a sério, pois são um sintoma de uma viga pode estar perdendo sua capacidade portante e pode vir à ruína.

b. Cisalhamento de viga

FONTE: Notas De Aula Prof. Bernardo F. Tutikian

As fissuras por cisalhamento normalmente se apresentam em forma de 45º próximas aos apoios das vigas. Além disso, elas normalmente se dão em função da armação de estribos feita de forma inadequada.

Da mesma forma que no caso das fissuras de flexão, esse tipo de fissura pode indicar algo grave, e recomenda-se um estudo mais aprofundado.

FONTE: Notas De Aula Prof. Bernardo F. Tutikian –

Recalques diferenciais

O estudo de solos precisa ser sempre feito com muito cuidado, já que é exatamente nele onde apoiaremos a edificação. Visto isso, precisamos do máximo de informações possíveis, por uma questão de segurança da escolha do tipo de fundação e seu dimensionamento.

Caso a fundação seja dimensionada de forma inadequada para um determinado solo ou caso o solo mude durante a utilização da edificação, principalmente pela drenagem de um lençol freático existente, pode acontecer o recalque da edificação.

Quando o recalque ocorre de forma integral, ou seja, a edificação desce como se fosse um bloco maciço, não há formação de fissura. Entretanto, caso somente um dos lados da edificação ceda, acontece o chamado “recalque diferencial”.

Neste caso, aparecem fissuras em 45º nas alvenarias que estão próximas à região que recalcou. Estas fissuras tendem a surgir em todos os andares da edificação.

A figura abaixo exemplifica bem como é uma fissura por recalque diferencial.

Crédito: EduQC/Reprodução

Uma obra muito conhecida que sofreu recalque diferencial foi a Torre de Pisa. Como é uma estrutura esbelta, não houve o aparecimento de fissuras, já que ela “tombou” de forma integral.

Crédito: Reprodução

Da mesma forma que nos outros casos apresentados neste artigo, este tipo de fissura requer uma atenção especial, pois pode ser um sintoma de uma obra em ruína.

Conforme comentado anteriormente, este artigo tem somente finalidade informativo. Caso você observe fissuras na sua obra, é sempre recomendável que elas sejam avaliadas por um engenheiro patologista. Somente ele vai poder dizer se há ou não necessidade de algum reparo e como fazê-lo.

Parte II concluída. Agora fique ligado que a parte III está chegando para tirar todas as suas dúvidas restante sobre fissuras.

Eng. Guilherme Aznar – Consultoria Técnica InterCement

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