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Grandes Construções: Ponte Rio-Niterói

15 de outubro de 2020
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Ponte Rio=-Niterói

A Ponte Presidente Costa e Silva, mais conhecida como Ponte Rio-Niterói, é um símbolo da era da ditadura militar no Brasil. Ela foi batizada em homenagem a Arthur da Costa e Silva, que foi presidente naquele período e foi quem deu a ordem para a construção da estrutura.

Mas além de ser um dos principais símbolos de um período sombrio da história do país, a construção da Ponte Rio-Niterói também trouxe marcos para a engenharia, com números impressionantes.

  • Era a segunda maior ponte do mundo na sua inauguração, perdendo apenas para a  Ponte do Lago Pontchartrain, nos Estados Unidos. Atualmente, ela é a maior ponte da América Latina.
  • É também a maior ponte em concreto protendido do hemisfério sul.
  • A ponte Rio-Niterói recebe mais de 150 mil passageiros por dia.
  • É o maior vão em linha reta do mundo.
  • Maior conjunto de estruturas protendidas das Américas.

Foto: Reprodução/TV Globo

Essa obra faz a ligação entre o bairro do Caju, na cidade do Rio de Janeiro, à Avenida do Contorno em Niterói. A estrutura conta com 13,2 quilômetros de extensão, sendo nove deles sobre água. Além disso, ela chega a 72 metros de altura em seu ponto mais alto.

A ponte representa, ainda, um importante elo na continuidade da BR-101, rodovia que liga o Sul do País à Região Nordeste.

Construção

Mario Andreazza

Mario Andreazza em visita às obras – Divulgação

A ponte Rio-Niterói foi projetada pelo então Ministro dos Transportes, Mario Andreazza. Porém, ela já era uma discussão antiga. Desde 1875 buscava-se ligar os dois centros urbanos, as cidades do Rio de Janeiro e Niterói, que eram vizinhos. Naquela época, só podia-se chegar de um ao outro pela baía de Guanabara ou por uma longa viagem terrestre pelo município de Bagé. Nessa época, foi sugerida a construção da ponte e até de um túnel, mas nenhum projeto foi iniciado de fato. 

Só em dezembro de 1965 foi montada uma comissão executiva para um projeto definitivo de construção da ponte. Em 1968, o presidente Costa e Silva, assinou o decreto que autorizou a obra, que começou em dezembro do mesmo ano. A construção começou em um momento delicado da história brasileira: dias antes do Ato Institucional 5 (AI-5), decreto que foi assinado pelo mesmo presidente e que inaugurou o período mais sombrio da ditadura militar no país.

O início da obra aconteceu, simbolicamente, em 9 de dezembro de 1968. Houve uma cerimônia para celebrar a ocasião que contou com a presença de ninguém menos que a rainha do Reino Unido, Elizabeth II e do Príncipe Filipe, Duque de Edimburgo, que estiveram ao lado do ministro Mário Andreazza.

Atrasos

A ponte, que deveria ter levado dois anos para ser concluída, foi entregue seis anos depois. A construção ficou a cargo de um consórcio de empresas inglesas, as firmas Dormann & Long, Cleveland Bridge e Montreal Engenharia. Além disso, toda a estrutura foi fabricada na Inglaterra em módulos e transportadas para o Brasil em navios. A montagem também foi feita por essas empresas.

Porém, essa parceria com as empresas inglesas não deu certo. Em 1971, o contrato com o consórcio inglês foi rescindido devido a atrasos na obra e um novo foi criado com as construtoras  Camargo Correa, Mendes Junior e Construtora Rabello, que formaram Consórcio Construtor Guanabara.

Inauguração da Ponte Rio-Niterói

Inauguração da Ponte Rio-Niterói – Divulgação

Cerca de 80% da obra foram construídos nos últimos dois anos antes da inauguração. A ponte foi entregue em 4 de março de 1974, com travessia gratuita e a expectativa de um volume diário de 15.865 veículos, entre ônibus e caminhões. A obra, ao todo, custou Crz$ 800 milhões, quase quatro vezes mais do que o valor do primeiro contrato.

Estrutura

Um dos principais desafios para a construção dessa estrutura era a necessidade de concretar as fundações debaixo d’água, em solo oceânico. Além disso, ela deveria ter um vão central de 300 metros de largura e 72 de altura, e mais dois secundários de 200 metros de largura.

Para isso, foram necessários:

  • 560 mil m³ de concreto
  • 1,152 vigas
  • 212.300 m³ de areia
  • 3,250 aduelas
  • 43 mil cabos

A sustentação da ponte são tubos concretados no fundo do mar. Para isso, foi usado um cimento especial para esse tipo de obra, o RS, que é o cimento resistente a sulfatos (ideal para obras em ambientes agressivos, como o ambiente marinho). Os trabalhadores ficavam em ilhas flutuantes com pernas de 60 metros de altura, e máquinas faziam as perfurações das fundações. Foram necessários 10 mil trabalhadores para a execução da obra.

Ponte Rio-Niterói

Manutenção e reformas

Entre 1974 e 1979, a Ponte Rio-Niterói ficou praticamente sem nenhum investimento em obras e inspeção ou até mesmo monitoramento. Mas a situação mudou com o passar do tempo. A ponte já passou por obras para inclusão de:

  • implantação da quarta faixa de rolamento para aliviar o excesso de veículos; 
  • a construção de bases operacionais avançadas, com o objetivo de minimizar os tempos de atendimento aos usuários em caso de emergências;
  • substituição do pavimento.

Além disso, em 2014, foi instalado um sistema  de atenuação de movimentos, o ADS (Atenuadores Dinâmicos Sincronizados) para reduzir os fortes balanços causados pelo vento e pela própria estrutura metálica. As oscilações, que chegavam a 1,2 m e obrigavam os motoristas a pararem na pista diminuíram em 80% e agora não passam de 5 cm para cima ou para baixo.

Outro cuidado exigido pela estrutura são os constantes reparos de trincas. Para consertá-las, é necessário que um operário faça a soldagem dentro de um caixão metálico, 72 metros acima da linha d’água e embaixo das pistas. Os operários responsáveis por essa manutenção garantem que a estrutura permanece sólida e segura.

Além dos reparos nas trincas, hoje a ponte demanda 600 operários para cuidar da  iluminação, da coleta de lixo, dos sistemas eletrônicos e da conservação do pavimento.

Uma vez por ano, a via é inspecionada por completo. Já as inspeções submersas acontecem a cada cinco anos.

 

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Com informações de *O Globo, IPT (Instituto de Pesquisa e Tecnologia) e agências de notícias

 

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