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Problemas com fissuras em paredes e pisos de concreto

Anteriormente, aqui no nosso blog, abordamos todos os tipos de fissuração e suas causas. Agora, vamos abordar esta questão de um ponto de vista mais específico: você executou seu piso ou parede em concreto ou alvenaria e está tendo problemas de trincas e fissuras. O que pode estar causando isso de fato?

Fissuras são sinais de que a estrutura está trabalhando. Elas não são, necessariamente, um indicativo de problema, mas sim, a garantia de que a estrutura está sendo solicitada de alguma forma. Quando a fissura começa a ampliar sua abertura e evoluir para trincas maiores, então passa, de fato, a se tornar um item preocupante. Esse é um forte indício de que existem esforços adicionais aos projetados e que não é possível absorvê-los com segurança.

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As principais causas, como já abordamos anteriormente, são:

  • Deformações excessivas dos elementos estruturais;
  • Retração do material;
  • Carga atuante na estrutura;
  • Recalques diferenciais entre fundações;
  • Corrosão;
  • Erro de encunhamento;
  • Reação álcali-agregado;
  • Aberturas em lajes e paredes.

Quando falamos de paredes e pisos, os mais usuais tipos de fissuras e trincas são provenientes de:

  • Retração do material;
  • Deformações excessivas;
  • Carga atuante na estrutura;
  • Recalques diferenciais entre fundações.

Como identificar qual é qual? A avaliação requer um trabalho em conjunto entre: engenheiro calculista da obra em questão, engenheiro responsável pela execução e o especialista em patologias estruturais. Assim, é possível avaliar o que foi projetado, o que foi executado e o que necessita de correções de fato.

Sendo assim, vamos ilustrar de forma visual os tipos de fissuras atrelados a cada situação, para que você, possa saber qual direção tomar, seja ela chamar um especialista em patologias ou verificar a estrutura com o engenheiro calculista.

 

1- Fissuras por retração do material:

A retração é um fenômeno que ocorre em todos os materiais expostos a variação de temperatura ou perda de volume por evaporação de água – ambas são situações que o concreto e a argamassa estão sujeitos – sendo assim, erros de dosagem podem ocasionar o problema em demasia, prejudicando a qualidade do produto final.

As figuras abaixo ilustram como são as fissuras por retração:

FONTE: http://www.ebanataw.com.br/roberto/trincas/caso34.htm
FONTE: http://www.ebanataw.com.br/roberto/trincas/caso34.htm

As fissuras de retração têm um aspecto que pode ser comparado a um “mapa”, já que se espalham por toda a estrutura e são comuns, especialmente, em rebocos de fachadas, visto que o contato direto com sol e chuva acaba gerando retração em todas as direções da parede, por secar de forma muito agressiva. A dosagem adequada dos materiais (cimento, areia, brita e água) é essencial para evitar problemas de retração excessiva.

No processo de secagem dos pisos, além do fenômeno acima, eles estão expostos a retração de outra maneira, geralmente seguindo o caminho paralelo das juntas de dilatação:

FONTE: www.anapre.org.br/pdfs/Patologias_em_Pisos_Industriais_Anapre_RJ_Marcel_Chodounsky_Dez2010.pdf

Para garantia de uma entrega de qualidade, sem o problema acima, a atenção à cura do concreto precisa ser redobrada, assim como do processo de polimento, pois eles interferem diretamente no controle de retração.

 

2- Deformações excessivas:

As fissuras por deformação têm um caráter de comprometimento estrutural maior, pois elas são indícios de que há um problema grave. Sendo assim, elas tendem a piorar ao longo do tempo e evoluir para trincas.

A figura abaixo exemplifica o problema de deformação excessiva:

FONTE: MAGALHÃES, Ernani F. de. Fissuras em Alvenarias: Configurações Típicas e Levantamento de Incidências no Estado do Rio Grande do Sul.

O problema principal desse tipo de fissura, é a falta de rigidez dos elementos estruturais, o que pode ocasionar em deslocamento excessivo e, aliado ao efeito de fluência do concreto – um fenômeno do material que faz com que ele permaneça se deformando ao longo do tempo –, pode gerar esforços para os quais o elemento não foi projetado.

Uma forma de corrigir isso é reforçando a estrutura para aumentar a rigidez e reduzir deslocamentos excessivos. Caso detectado em fase de obras, uma saída segura é refazer o elemento estrutural.

 

3- Recalque diferencial das fundações:

Na eventualidade de haver um recalque entre fundações, diferente do previsto em projeto, pode acontecer um deslocamento vertical de toda edificação, o que causa, além de trincas e fissuras nas paredes, esforços adicionais em todos os elementos (pilares, lajes e vigas) com a possibilidade de evolução ao longo do tempo para questões mais graves.

A figura abaixo exemplifica bem como é uma fissura por recalque diferencial:

FONTE: https://eduqc.com.br/concursos/engenharia/recalque-diferencial/

A correção das fundações é a chave para evitar esse tipo de problema, pois, dependendo do tipo de solo, há recalques contínuos ao longo do tempo e isso pode implicar no comprometimento da obra como um todo.

Tratar fissuras locais, nessa situação, não tem eficiência nenhuma, tendo em vista a real causa do problema.

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4- Carga atuante na estrutura:

Os pisos, muitas vezes, recebem a carga do pilar e, pela falta de armadura suficiente para transmissão de esforços de forma adequada para a fundação, acabam por fissurar, como na figura abaixo:

FONTE: www.anapre.org.br/pdfs/Patologias_em_Pisos_Industriais_Anapre_RJ_Marcel_Chodounsky_Dez2010.pdf

Sendo assim, é de suma importância um reforço na região, evitando problemas que possam eventualmente comprometer a estrutura do piso, gerando um retrabalho.

FONTE: https://www.bombaserv.com.br/concretos/pisos-industriais/piso-industrial-de-concreto-para-construcao/onde-comprar-piso-industrial-de-concreto-armado-parque-sao-rafael

Esse tipo de fissura é extremamente preocupante para a estrutura como um todo, pois, no caso de sua ocorrência, existe a possibilidade de ruína total da edificação. Por isso, os devidos cuidados devem ser tomados o quanto antes para não oferecer risco às pessoas.

Agora você já sabe: nem toda fissura é simples e, portanto, em todo e qualquer sinal de ocorrência, devemos estar em alerta, avaliar a progressão e a disposição.

Não é recomendável tomar qualquer atitude sem o aval do engenheiro responsável pela obra, pois cabe a ele definir qual é o passo mais seguro e adequado a ser tomado. Ele é o profissional mais indicado para avaliar se realmente é um problema, ou se é apenas o elemento estrutural recebendo carga e distribuindo a mesma pela estrutura.

Guilherme Aznar Araújo – Consultoria Técnica InterCement Brasil

 



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