Alvenaria

Qualidade na alvenaria estrutural 

Alvenaria estrutural

Construções em alvenaria estrutural são cada vez mais utilizadas no Brasil, uma tentativa de suprir o déficit habitacional. Uma tecnologia que foi consolidada no país na década de 1980, com o desenvolvimento de normas técnicas consistentes, gerando economia e menores prazos em comparação às construções convencionais em concreto armado e alvenarias convencionais.

Por isso, é muito importante conhecer os critérios de qualidade dos materiais e do sistema como um todo, desde as premissas do incorporador, passando pelos projetos e planejamento.

As atividades de controle devem obedecer a NBR 16868-2: alvenaria estrutural – Parte 2: Execução e controle de obras.

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Conheça os requisitos dos materiais usados na alvenaria estrutural

Na alvenaria estrutural, temos 4 materiais básicos: os blocos (cerâmicos ou de concreto), a argamassa de assentamento, o graute e o aço das armaduras.

Os blocos de concreto são normalizados pela NBR 6136 e, além disso, vários fabricantes possuem selo de qualidade da ABCP. Nessa norma, são definidas as dimensões dos diversos tipos de blocos disponíveis, assim como as tolerâncias nas medidas (± 2mm na largura e ± 3mm na altura e no comprimento), além de outros requisitos como a resistência mecânica, absorção de água e retração.

A norma estabelece que os blocos de alvenaria estrutural devem ter arestas vivas e não podem apresentar fissuras, fraturas ou outros defeitos que prejudiquem o assentamento ou afetem a resistência e durabilidade da construção.

Para a inspeção dos blocos de concreto, é preciso selecionar uma amostra (veja na tabela a seguir), proveniente do lote adquirido para realização dos ensaios de resistência à compressão, análise dimensional, área líquida do bloco, absorção e retração linear por secagem.

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Fonte: adaptado de NBR 6136:2013.

 

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Fonte: NBR 6136:2013

Já os blocos cerâmicos estruturais são normalizados pela NBR 15270 e devem obedecer a diversos requisitos relativos às suas características geométricas: dimensões efetivas, espessuras dos septos e paredes externas de blocos, desvio em relação ao esquadro, planeza das faces, área bruta e área líquida. Também possuem características físicas: massa seca e índice de absorção de água e as mecânicas: resistência à compressão.

Assim como os blocos de concreto usados na alvenaria estrutural, os cerâmicos não podem apresentar defeitos sistemáticos como quebras, superfícies irregulares ou deformações que impeçam seu emprego na função especificada.

Segundo a NBR 15270, os blocos cerâmicos devem passar por uma inspeção geral e por ensaios. Inicialmente, devem ser verificados os requisitos de identificação do fabricante e dimensões nominais (largura, altura e comprimento, com tolerâncias específicas) de uma amostra com 13 blocos. Porém, se um dos blocos estiver fora dos critérios, pode gerar a rejeição do lote todo.

Caso o lote seja aprovado nesta primeira etapa, é preciso verificar a existência de defeitos, seguindo os critérios da tabela a seguir:

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Fonte: adaptado de NBR 15270-1:2017.

Na inspeção por ensaios são avaliadas as características geométricas (dimensões efetivas, espessuras dos septos e paredes externas de blocos, desvio em relação ao esquadro e planeza das faces), além da absorção de água e a resistência à compressão. Veja a tabela a seguir:

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Fonte: adaptado de NBR 15270-1:2017.

A argamassa tem como função básica solidarizar os blocos, transmitir e uniformizar as tensões entre as unidades de alvenaria estrutural, absorver pequenas deformações e prevenir a entrada de água e de vento nas edificações. Ela deve possuir trabalhabilidade (plasticidade, coesão e consistência), adequada à execução da alvenaria estrutural.

Alvenaria estrutural

Fonte: https://www.ofitexto.com.br/comunitexto/unidades-que-compoem-as-alvenarias/

Independentemente de optar pelo uso da argamassa virada em obra ou industrializada, é preciso que ela seja resistente à compressão compatível com o projeto estrutural.

A característica mais importante a ser testada na alvenaria estrutural é a aderência da argamassa com o bloco, através do ensaio de prisma deitado. Estes ensaios estão expressos na NBR 16868 (partes 2 e 3).

Se a argamassa for virada em obra, os materiais empregados em sua confecção (cimento, cal e areia) devem atender às normas específicas.

Alvenaria estrutural

Ensaio de prisma deitado. Fonte: https://blogdaliga.com.br/controle-de-qualidade-na-alvenaria-estrutural/

O graute é utilizado para preencher alguns dos vazios dos blocos da alvenaria estrutural, determinados conforme o projeto, com o intuito de solidarizar as armaduras ao sistema e aumentar a sua capacidade.

Ele deve ter características no estado fresco que garantam o correto preenchimento dos furos e não pode apresentar retração que provoque o descolamento das paredes dos blocos.

Geralmente, adota-se um produto industrializado para esta finalidade na alvenaria estrutural, mas o graute também pode ser moldado in-loco, feito com cimento, cal, areia e aditivos (que devem atender às suas normas específicas). O principal requisito para o graute é a resistência à compressão, que deve ser ensaiado de acordo com a NBR 5739.

Com relação ao aço utilizado na alvenaria estrutural, ele deve atender à NBR 7480 (da mesma forma que o aço empregado nas estruturas convencionais).

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Um dos pontos mais importantes no controle de qualidade da alvenaria estrutural

O ensaio de prisma é o menor elemento que representa a parede, pois terá o funcionamento conjunto do bloco com a argamassa ou bloco, argamassa e graute.

Este ensaio é muito sensível à perda de aderência da argamassa. Para isso é muito importante o cuidado no transporte do prisma da obra para o laboratório, assim como cuidados no capeamento deles.

Nos prismas grauteados é muito importante observar a não retração do graute, pois isso fará com que toda a carga da prensa durante o ensaio se aplique somente no bloco, distorcendo o resultado. O resultado do prisma é o valor básico que os projetistas estruturais avaliam para determinar a resistência final da parede.

Os ensaios de caracterização dos materiais e do sistema devem ser feitos antes da execução da obra. Adicionalmente, deve ser realizado o seu controle.

Para os blocos, o controle durante a obra envolve ensaios dimensionais e de resistência à compressão. É dispensável somente nas seguintes condições:

  • Se os blocos possuírem certificação de conformidade com as normas NBR 6136 e NBR 15720;
  • Se a resistência à compressão dos blocos for inferior a 14 MPa;
  • Se forem realizados ensaios de prisma em todos os pavimentos.

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A argamassa e o graute devem ter a resistência e a compressão controladas durante a obra, de acordo com os seguintes lotes:

  • 600m² de área construída em planta;
  • Dois pavimentos, quando a resistência à compressão dos blocos for de até 6 MPa;
  • Um pavimento, quando a resistência à compressão dos blocos for superior a 6 MPa;
  • Duas semanas de produção;
  • Argamassa e/ou graute fabricados com matéria prima de mesma procedência, dosagem e processo de preparo.

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Mariana Ribeiro – Consultoria Técnica InterCement Brasil

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