Histórias da Construção

Série Estilos do Brasil: a febre do ouro em Minas Gerais

A descoberta do ouro na região do estado de Minas Gerais ocorreu no final do Século XVII e motivou uma grande migração de pessoas para a área. Com o início da ocupação, a disputa pelas áreas de lavra gerou conflitos que levaram à instituição, por parte do governo português, da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro. Nas décadas seguintes, outros conflitos ocorreram devido às elevadas taxas de tributação, levando à organização da capitania independente de Minas Gerais. Na sequência veja mais sobre a arquitetura de Minas Gerais!

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Ao final do século XVIII, a Inconfidência Mineira tomou forma, motivada pelos impostos extorsivos cobrados pelo fisco português sobre uma produção de ouro que estava em declínio, em meio a uma grave crise financeira. Uma vez que a exploração do ouro não criou outras formas permanentes de atividade econômica (apenas a agricultura de subsistência), o declínio da produção levou à acelerada decadência econômica da região, fortalecida ainda mais pela dificuldade de reposição de mão de obra escravizada.

A principal característica da mineração do ouro em rios era o assentamento das populações em núcleos urbanos formados a partir dos acampamentos estabelecidos às margens dos cursos d’água. Eram povoados com arruamentos espontâneos, acompanhando o leito dos rios e subindo pelas encostas.

Vista de Ouro Preto/MG (Fonte: UNESCO, 2006).

A arquitetura de Minas Gerais estava, principalmente, nas mãos de profissionais de origem portuguesa atraídos por excelentes condições de trabalho proporcionadas pela riqueza econômica e pelo desenvolvimento urbano das vilas recém-criadas. Esses mestres de obras mudariam os rumos da arquitetura na região mineira, adaptando-a ao uso da alvenaria de pedra, generalizado a partir de 1740, e treinando mão de obra local, incluindo negros forros e mestiços.

As construções da época são marcadas pela predominância dos sobrados de dois ou três pavimentos, com janelas superiores enquadradas por balcões isolados ou unidas por sacadas corridas. Esses balcões, protegidos por guarda-corpos de ferro ou madeira pintada, de grande efeito decorativo, marcam a destinação residencial dos pavimentos superiores, enquanto o pavimento térreo era geralmente reservado a depósitos, alojamentos dos escravizados ou atividades comerciais.

Ouro Preto. Fonte: https://www.artezanal.com/blog/arquitetura-colonial/
Lisboa. Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/873960/arquitetura-portuguesa-em-xeque-o-caso-dos-engenheiros-que-querem-assinar-projetos-arquitetonicos

Símbolo do poder político nas antigas vilas coloniais, as casas de Câmara e Cadeia mantiveram no Brasil as atividades administrativas da Câmara e da prisão dos condenados da Justiça, assim como em Portugal. Essas construções tinham acessos independentes aos pavimentos (o superior era geralmente destinado à Câmara, a cadeia ficava no térreo) além de, no centro da fachada, contarem com uma torre com o “sino do povo”, que servia para avisar à população o horário de se recolher, ditar fechamento das casas comerciais e comunicar aos habitantes as deliberações da Câmara.

Casa de Câmara e Cadeia de Mariana/MG. Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Casa_de_C%C3%A2mara_e_Cadeia,_fachada_principal.jpg

A influência da Igreja Católica na arquitetura e nas artes foi muito importante durante o período da mineração. Podemos mencionar três tipologias para as igrejas: a capela primitiva, a igreja matriz e a igreja de irmandade ou Ordem Terceira.

As primeiras capelas têm planta simplificada, anexando ao espaço da nave reservado aos fiéis uma pequena capela-mor com sacristia lateral. Não havia torres nem um local específico para os sinos, que inicialmente eram pendurados nas janelas das fachadas, como ainda se vê em capelas de cidades do interior mineiro.

Capela de Mariana – Primeira capela de Minas Gerais. Fonte: http://mariana.mg.gov.br/noticia/5877/primeira-capela-de-minas-gerais-localizada-em-mariana-sera-restaurada

A partir de 1720, aproximadamente, com as populações assentadas e enquadradas administrativamente em vilas e freguesias, o monumento típico é a igreja matriz, símbolo do poder religioso. As matrizes mineiras foram construídas em madeira e taipa, com plantas retangulares, corredores laterais e fachada ladeada por duas torres.

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, Ouro Preto/MG. Fonte: https://www.ouropreto.com.br/atrativos/religiosos/igrejas/santuario-de-nossa-senhora-da-conceicao-de-antonio-dias

A partir de 1760, a imensa maioria das construções religiosas é de igrejas de irmandades e ordens terceiras. Destinadas às funções litúrgicas de uma única irmandade, ao oposto das matrizes que sediavam várias dessas associações, as novas igrejas têm geralmente dimensões mais modestas e menor número de altares. Estas igrejas tinham decorações internas primorosas, e o uso da alvenaria de pedra nas construções religiosas viabilizou o emprego de formas curvas e maior ornamentação da fachada principal.

Igreja de São Francisco de Assis (Ouro Preto/MG). Fonte: https://lugaresinesqueciveis.wordpress.com/2012/10/21/igreja-sao-francisco-de-assis-ouro-preto/
Igreja do Sameiro, Portugal. Fonte: https://www.trekearth.com/gallery/Europe/Portugal/North/Braga/Braga/photo1397866.htm

Gostou de conhecer mais sobre a arquitetura de Minas Gerais? Então conheça mais sobre a riqueza do Centro Histórico de São Luís/MA e sobre a influência da borracha na arquitetura da Região Norte.

Referência:

UNESCO. Arquitetura na formação do Brasil. 2006.

Mariana Ribeiro – Consultoria Técnica InterCement Brasil

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