Histórias da Construção

Série Estilos do Brasil: a riqueza do centro histórico de São Luís, MA 

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A região do que hoje corresponde a São Luís do Maranhão, foi, desde meados de 1500, uma região cobiçada e disputada por nações colonizadoras. Isso ocorreu não apenas por causa da sua posição estratégica para explorar novas regiões encontradas na América do Sul, mas também pela terra fértil, abundância de água, e um clima equatorial com uma flora diversa. Foi só em 1615 que Portugal assumiu a ocupação do território e iniciou os planos de urbanização da região, fundando o estado do Maranhão em 1621, com a sede em São Luís.

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Mapa do Litoral Nordeste e Norte do Brasil

O plano de urbanização de São Luís foi liderado por engenheiros militares portugueses, sendo uma das primeiras colonizações de Portugal que ocorreu de forma ordenada. Por isso, conta com um traçado geométrico e com quadras bem definidas. Francisco Freitas de Mesquita foi o engenheiro responsável pelo projeto, que mesmo depois de 200 anos de sua criação mostrava influencia na construção das novas áreas urbanas.

Desde meados do Século XVII até último quarto do Século XVIII, Salvador atuava como capital do Brasil, enquanto Maranhão e Belém eram as capitais dos estados do Maranhão e Grão-Pará. Porém, no caso de Maranhão, mesmo com o status de capital, foi só com o desenvolvimento da economia do algodão no final do século XVIII que a região teve um forte processo de urbanização. O arroz também foi uma economia que prosperou, já que se adaptou facilmente ao clima e solo da região e era uma produção barata para alimentar os escravos.

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Assim, com o avanço da economia, na primeira metade do século XIX, as principais cidades da região, São Luís e Alcântara, já apresentavam água potável com galerias subterrâneas, iluminação pública, sistema de telefonia, sistema de transporte coletivo, e energia elétrica.

A nova classe elitista começou a seguir tendências e costumes europeus. O Teatro de São Luís, com uma arquitetura neoclássica, construído em 1817 e o mais antigo das capitais, recebia espetáculos direto do Ópera de Paris.

São LuísTeatro Arthur Azevedo, São Luís, MA, 1817

blankTeatro alla Scala, Milão, Itália, 1778

As edificações passaram de taipa e palha para alvenaria de pedra argamassada. Construtores vinham de Lisboa ou Porto e utilizavam materiais importados nas construções e decorações. A arquitetura tem uma forte relação com a reconstrução de Lisboa liderada por Marquês de Pombal, após a capital portuguesa ter sido destruída pelo terremoto de 1755. Nesse período, Alcântara e São Luís estavam em processo de crescimento, e as novas construções receberam influência dessa reconstrução. O chamado estilo “pombalino” tem como características elementos estruturais em pedra, como vergas, portais e balcões, e cantarias pré-fabricadas para uma rápida construção em série. Isso trouxe uma repetição intensiva de padrões, uniformidade de gabaritos e modulações de vãos. Aos poucos, foram surgindo detalhes mais adaptados ao clima, como as varandas, os forros em espinha de peixe, o pé-direito elevado para a ventilação e o mirante.

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Construção no estilo “pombalino” em Lisboa, Portugal

São LuísConstruções no estilo “pombalino” em São Luís, MA

Em meados do século XIX, começou a se intensificar o uso de azulejo nas fachadas, que não apenas representava um artigo de luxo para o proprietário, mas também ajudava a refletir os raios solares e servia para fins de impermeabilização, durando muito mais que a pintura tradicional. Vindo de Portugal, França e Holanda, o azulejo nas fachadas se tornou um dos aspectos mais característicos da arquitetura de São Luís.

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Rua com elementos repetidos, varandas e revestimento em azulejo, em São Luís, MA

blankVarandas e revestimentos em azulejo na cidade do Porto, em Portugal

Além disso, podemos citar como riquezas do centro histórico de São Luís o palácio Episcopal e a Igreja da Sé, construídas pelos jesuítas e utilizados para educação e oração até a expulsão do grupo religioso, em 1761, e a “Casa das Tulhas”, que foi construída sobre a “cidade baixa”, local mais próximo ao litoral que abrigava barracas para o comércio. Arquitetonicamente inspirada no neoclassicismo da Praça do Comércio de Lisboa, hoje o edifício abriga a “Feira da Praia Grande”, um mercado onde é possível encontrar a síntese da cultura popular do Maranhão.

São Luís
Palácio Episcopal e Igreja da Sé, São Luís, MA

São LuísVista aérea da Casa das Tulhas, São Luís, MA

São Luís
Figura 13 – Praça do Comércio, Lisboa, Portugal

A cidade de São Luís foi reconhecida em 1997 como Patrimônio Mundial Cultural da Humanidade pela UNESCO (A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) por apresentar testemunhos preservados de uma cultura rica e diversificada em um período significativo da história da humanidade.

São Luís
Rua em São Luís, MA, com sobradões com fachada em azulejo

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Fontes: 360 Meridianos, Central de Notícias, Blogs O Estado, Wikipedia.

Referência bibliográfica: TELLES, Augusto C. da Silva; GOMES, Geraldo; ROCHA-PEIXOTO, Gustavo; SEGAWA, Hugo; CURTIS, J. N. B. de; DERENJI, Jussara; ANDRÈS, Luiz Phelipe de Carvalho Castro; OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro de. Arquitetura na formação do Brasil. Brasília: Unesco, 2007. 346 p.

Eder Mendes – Consultoria técnica InterCement Brasil

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